Cris é uma jornalista que pretende fazer carreira e ser
reconhecida. Mas, por enquanto, seu trabalho se resume a escrever notas sobre a vida dos artistas. Como seu lema é correr
atrás dos fatos, ela não desperdiça a chance de entrevistar o famoso ator de cinema Igor Frinzy quando o acaso do destino faz esses dois se esbarrarem.
Para não espantar o ator, Cris decide não lhe contar sua profissão. Ela só não imaginava que
acabaria misturando amor e trabalho. Agora, seu editor está cobrando a tão prometida matéria de perfil com o galã e Cris não
sabe mais como enrolar os dois. Seu chefe quer a matéria e Igor, seu coração.
Esse delicioso seriado vai envolver você do começo ao fim!
Este livro é uma obra de ficção, qualquer semelhança com a realidade é uma mera
coincidência.
Autora
Olá! Leitores.
É com muito prazer que eu levo os meus livros até a telinha do computador de vocês. Eles são cheios de humor, romance,
drama e fantasia. Tudo que mais precisamos nos dias de hoje para distrair e esquecer os problemas. Por isso! Divirta-se!
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07/06/2008
Final (Igor e Cris)
Coloquei as mãos dentro do sobretudo e me encolhi. Havia acabado de sair de uma balsa do porto. Eu acabava de chegar de outra cidade. Trazia na bolsa o livro impresso. Sentei-me e olhei o mar por um tempo. Senti uma grande paz. Não havia ninguém ao meu redor fazendo perguntas, nem tirando fotos ou empurrando microfones em minha direção.
O telefone vibrou no meu bolso. Era só Rebeca.
_Como está? _ perguntou-me.
Suspirei profundamente e fechei os olhos por uns segundos.
_Muito bem. _ sorri.
_Já o viu?
_Não...
_Ele tem um filho que está na sua barriga. _ lembrou-me.
_Eu sei.
_Vocês não estão juntos ainda por quê?! _ irritou-se.
_Não sei. _ ri. _ Na verdade, eu sei. Fiquei sugada com o julgamento. Precisei dar mil coletivas e nem tivemos chance de ficar perto.
_Ou você não quis? Cris, deixa esse orgulho idiota de lado. Vai lá! Ele está livre!
Rapidamente passou pela minha cabeça a imagem do juiz lendo a sentença. Ao declarar a inocência de Igor, sua família vibrou muito e ele foi engolido pela massa de jornalistas.
_Ele vai dar uma festa hoje para os amigos. _ comentei. _ Recebi o convite da sua assessora. Sabia que ele já contratou uma?
_É mesmo?
_Mas é velha, feia e casada... _ ri.
_Menos mal. A vida é curta. Você conseguiu um grande “furo” na sua própria história. Não é sempre que alguém pode ter isso. Muita gente vive aquela mesmice chata e sem graça. Você não! Você ganhou o coração de um cara que sempre admirou e nunca conheceu de perto! Cris, pára de fazer cara feia para sorte.
_Você deve estar certa. _ suspirei.
Desligamos. Eu já havia conversado com Igor, mas não queria contar essa parte à Rebeca.
***
Abri o jornal onde havia um artigo de Cris. Ele foi reproduzido por revistas e sites. Eu não me cansava de relê-lo em diferentes formatos, edições, letras e cores.
Todo ator precisa ficar repetindo nas entrevistas que os fãs o acabam confundindo o personagem interpretado nas novelas. E quando na vida real também colocamos a máscara da peça da vida? Trocamos de figurino e nos “reconfiguramos” em mocinhos e bandidos a todo momento. A diferença entre o que se é, o que as pessoas pensam que somos e o que representamos pode dar um nó é nossa cabeça. Muita gente só consegue desatá-lo com sexo, drogas ou álcool. Virou quase regra. Porém, a generalização pode ser danosa, porque leva inocentes à cadeira dos réus da mídia.
Nestes últimos meses vimos a novela do julgamento de um ator que começou com aquele famoso bigodinho de leite no comercial da Tv e terminou como personagem principal de horário nobre. O herói foi condenado injustamente como bandido. Apenas aqueles que o amavam e o conheciam de perto acreditaram em sua inocência.
Agora, instantaneamente, ele volta a ser tratado como rei. Tudo se diluiu na fugacidade da fragmentação midiática. Para Igor não será bem assim. As noites sozinho na cela, a distância da família, a condenação de seu público e o medo de pagar pelo crime que não cometeu ficarão marcados na memória.
Era só um vídeo. Mas, geralmente tomamos a parte pelo todo. Há muito mais conteúdo a se falar de Igor que só aquela cenazinha barata e de péssima qualidade de um vídeo caseiro. As pessoas precisam se identificar com os erros dos outros para ficarem mais próximas humanamente.
Antes que terminasse de ler, minha empregada informou que meu celular estava tocando na cozinha, onde eu havia esquecido na mesa. Atendi, era minha assessora.
_Te incomodo?
_Não, pode falar, já estou acordado.
_Eu sei que marcamos os horários do dia para nos reunirmos, mas eu precisei falar contigo. É que o telefone não pára. Um monte de jornalistas querem confirmar a informação de que Cristiane estaria grávida. O que eu faço?
_Grávida? _ ri.
_Alguns dizem que a fonte é quente e muito segura. Eles estão ansiosos pelo furo, pedindo exclusividade, mas...
_Esse povo acha que eu sou coelho distribuindo filhos por aí? Já colocaram todas as minhas ex grávidas também...
_Então, eu nego?
_Claro, isso é impossível.
_Tem certeza?
Não respondi. Pensei um pouco. Não era impossível.
_Mas quem disparou isso?
_Um deles me falou que uma enfermeira de um hospital reconheceu Cris. Afinal, ela estava a menos de uma semana em todos os noticiários...
_Ai, Meu Deus...
_O quê?
_Eu acho que fiz uma besteira.
_Que isso! Um filho não é uma besteira. _ ela riu e falou com voz maternal.
_Não, não. Não me refiro a esse filho, que nem sei que fiz... É que Cris queria falar comigo e nós acabamos brigando... será que...?
_Acho melhor, então, passar isso a limpo.
_Por enquanto eu mantenho que é só uma suspeita e que vocês estão bem. Pode ser?
_Tá, tá...
Eu estava me lixando para a imprensa. Ajeitei o celular na palma da mão e imediatamente procurei o número de Cris na minha agenda.
_Cris?
_Oi.
_Onde você está?
_Por quê?
_Precisamos conversar.
Que ironia, eu estava repetindo o que ela fizera dois dias atrás.
_Esqueceu de dizer alguma coisa?
_Onde está?
_Eu acabei de chegar da editora. Estou com o livro em mãos. Vou deixar um exemplar com a sua assessora.
_Melhor, traz para eu ver. _ aproveitei-me da desculpa.
_Eu ir aí? _ ela não gostou da idéia.
_Está muito ocupada? _ tentei usar uma voz muito amorosa para quebrar o gelo.
_Para dizer a verdade eu não quero ir aí.
_Mas, precisamos conversar.
_Ah! Então, não é pelo livro.
_Esquece o livro, por enquanto.
_Igor, eu já ouvi bastante.
_Cris, não quero falar sobre isso pelo telefone.
_Deve já ter repórteres por aí por causa da festa que você vai dar e eu não estou a fim...
_Eu te encontro na sua casa.
Ela suspirou pesadamente e aceitou.
Meu pai que descia a escada perguntou para onde eu iria.
_Sair.
_Isso eu estou vendo. _ ele olhou para a chave do carro na minha mão que eu acabava de pegar de cima da mesa da sala.
_Eu vou resolver um compromisso aí. Vocês vão ficar para a festa? _ perguntei.
_Vamos sim. _ ele sorriu e deu uma tapinha carinhosa no meu rosto e no meu ombro.
Os pais nos dão vários conselhos, mas nem sempre são os melhores. Foi por causa da conversa que eu tivera com o meu pai que havia metido os pés pelas mãos. Eu havia lhe dito que minha relação com Cris estava estranha, pois ela não tinha me visitado na prisão e nem me procurado imediatamente após o fim do julgamento. Ele opinou que era melhor eu me afastar e procurar uma mulher do meu mundo, que também entendesse o assédio da mídia. Eu estava em um momento tão desnorteado que preferi aceitar essa diretriz a tentar resolver minha questão com ela.
Quando Cris me ligou eu já estava embrulhado em orgulho e rancor.
_Igor, precisamos conversar.
_Agora? _ perguntei com muita ironia.
_É, agora que pode falar...
_Eu também podia falar na prisão e precisei de você, mas não esteve ao meu lado. _ respondi infantilmente, com um menino pirracento. Como sinto vergonha de mim agora!
_É importante.
_É sobre o quê?
_Não dá para falar por telefone.
Marcamos de Cris vir até minha casa. Eu estava no sofá, lendo pela primeira vez o artigo que agora de manhã estava relendo, quando minha empregada anunciou que havia visita entrando. Olhei por cima do jornal e meus olhos se encontraram com os de Cris. Ela sorriu discretamente, contida e envergonhada, sem mostrar os dentes, apenas uma linha curva em sua boca. Seu cabelo estava solto e os cachos saíam da toca de sua cabeça emoldurando as bochechas levemente avermelhadas pelo frio.
_Oi. _ ela fez um sinal com a mão e ficou parada na entrada.
Eu não me mexi de imediato. Deixei o jornal de lado em cima do sofá e fiquei de pé. Caminhei em sua direção e ela seguiu todos os meus gestos com o olhar.
_Eu preciso te falar uma coisa. _ disse-me.
_Eu li o artigo.
_Não é sobre isso... _ interrompeu-me com pressa, parecia que já tinha ensaiado o que ia dizer e eu a estava atrapalhando.
_Fala, então.
_Igor, eu nunca planejei me aproveitar de estar com você e...
_Você veio aqui para terminar?
_Não!
_O que, então? Porque eu não sei mais se...
_Você não sabe mais se...? _ ela franziu a testa agora com medo do que eu ia dizer.
_Eu fiquei muito chateado com você, Cris. Sabe o quanto te esperei naquele lugar imundo? Um gesto de carinho se quer...
_Igor, eu estava sendo assediada por todos os lados, preferi evitar que falassem mais...
Cris olhou para o lado, mordeu a boca e riu sozinha um riso de desapontamento.
_Não dá para falar com uma pessoa que só consegue pensar em si. Eu soube hoje que a Karen morreu. _ ela fez uma pausa longa para recuperar a voz embargada. _ Ela conseguiu o que queria. Não te colocou na cadeia, mas te fez ficar contra o nosso amor. Ela venceu.
Cris virou as costas e partiu. Eu, o homem mais covarde do mundo, fiquei sozinho com meu próprio orgulho em pé, no centro da minha sala.
Estacionei o carro na frente do prédio de Cris e subi as escadarias.
***
Peguei a caixa colorida em cima do sofá e olhei o sapatinho de bebê que eu havia comprado no caminho de casa. Coloquei nos dedos e brinquei com eles fazendo um caminho em cima da minha barriga. Sorri.
A campainha tocou. Escondi os pequenos sapatos felpudos de baixo da almofada. Abri a porta e meus olhos se encontraram com os de Igor, instantaneamente fazendo meu coração disparar.
Ele entrou em silêncio e eu estendi a mão para o sofá, indicando que poderia sentar. Ele abaixou-se para pegar alguma coisa e eu me virei para fechar a porta. Quando voltei a olhá-lo, percebi que Igor tinha apanhado do chão um dos sapatinhos que escorregara do sofá e caíra na hora que tentei escondê-los.
_É verdade, então, Cris?
Percebi que ele já sabia pelo seu tom de voz. Esse era seu assunto tão importante.
_Por que me escondeu? Com que direito me escondeu? _ fez uma cara de horror.
_Com o direito de uma mãe que não quer dividir o seu filho com ninguém... _ falei calmamente e caminhei em direção a minha mesa de trabalho. _ ... Não vou vender a foto do meu filho para alguma capa de revista, nem compartilhar minha gravidez como notícia.
_Hei! Eu sou o pai! Está me incluindo no grupo dos outros?
_Não, Igor. Eu tentei falar com você, mas antes você tomou a decisão de que eu não era melhor para sua vida. Como meu filho e eu não vamos ser a mesma pessoa quando ele sair da minha barriga, não precisa ficar comigo por causa dele. Já fez sua escolha...
_Não, não... _ Igor veio até mim e isso me fez lembrar de nosso primeiro beijo, naquele mesmo local. Só que agora estava diferente, mas magro, cabelo curto e voz firme e decidida. _ Cris, eu me senti rejeitado e acabei me deixando levar pelo orgulho... Mas, eu ainda te amo.
Abaixei os olhos.
_Você me ama também? Ou tudo morreu como disse naquele dia?
Não respondi.
_Acho que isso pode ajudar a te fazer lembrar... _ ele segurou meu rosto e me beijou. Seus lábios deslizaram pelos meus e senti o cheiro do seu perfume. Sua mão apoiando a minha nuca e a outra me apertando contra sua cintura fizeram o meu corpo responder aquela lembrança de segurança e amor. Correspondi o seu beijo e senti o coração disparar.
Afastamos um pouco nossos rostos e Igor com a boca avermelhada pelo beijo intenso sorriu.
_Agora somos só nós, só nós três. Nós é que vencemos.
_Eu te amo. _ sussurrei.
_Eu também te amo. _ ele puxou-me para um beijo longo e me envolveu com seus braços.
Um dia em nossas vidas abraçamos alguém e descobrimos que nunca mais podemos nos afastar daquele abraço quente e seguro. Aí, é amor.
***
Espero que tenham gostado desse livro! Deixem seu recadinho final aí nos comentários.
A comida horrível da prisão me fez perder 5 quilos. Meu rosto estava ossudo. Os piolhos também me obrigaram a raspar a cabeça. Olhei para o minúsculo espelho que usei para fazer a barba. A gotas de água escorriam pela pele lisa. Vesti a roupa limpa que minha mãe trouxera e fui algemado para entrar na viatura que me levaria para o julgamento.
A multidão na porta da delegacia era ensurdecedora. Gritavam acusações e me condenavam. Eu sentia o peso do outro lado da moeda. Os policiais me protegiam para que eu não fosse agredido.
Os repórteres se espremiam contra o vidro do carro e disparavam flashs ininterruptamente. Eu estava completamente perdido, sozinho, sem saber o que ia ser da minha vida. Assim que encontrei meu advogado no tribunal, perguntei por Cris.
_Tenho ótimas notícias. Ela conseguiu peças preciosas para a sua defesa.
_É? Mas e... ela?
_Está ótima! Fez várias coletivas e conseguiu conter a imprensa como ninguém.
_Acho que ganhou a assessora perfeita!
_Deus que me livre!
_?
_Quero correr de qualquer assessora. Só quero minha namorada e minha vida de volta.
_Vai ter! _ ele bateu nas minhas costas.
Ele estava certo. Cris dormira muito pouco para conseguir apurar tudo que fosse útil para provar minha inocência. Ela encarou aquilo como a maior reportagem investigativa de sua vida. Primeiro, conseguiu a autorização para descobrir através do dono do site onde foi postado o vídeo os dados do usuário, que levaram ao computador de Karen. Depois, um especialista conseguiu recuperar tudo que fora deletado da máquina e, com isso, pôs às claras as intenções de Karen em me prejudicar.
Um batalhão de pessoas que depôs ao meu favor contando pequenos fatos cotidianos que presenciaram me surpreendeu. Encontrei ali meus verdadeiros amigos. Eles percebiam o quanto Karen era manipuladora e que seria capaz de tudo.
Mas, nada foi tão forte quanto os resultados dos laudos que remontaram a cena. Ficou evidenciado que era possível que Karen houvesse tentado se matar e me incriminar. O júri, então, se preparou para a votação e eu vi minha família reunida torcendo por mim de mãos dadas.
Quando chegou a hora de se levantar para ouvir a sentença, meu coração era uma bomba relógio.
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Quando a cela abriu e me chamaram para uma visita, pensei que seria mais uma conversa com meu advogado ou, quem sabe, minha mãe com alguma comida gostosa para atenuar minha tristeza. Eu só conseguia pensar na devassa que não estariam os repórteres fazendo na vida deles, filmando com helicópteros a casa dos meus pais e se debatendo contra o portão como cães enlouquecidos.
_Vai receber visita íntima é, cara? _ levei uma tapinha nas costas do policial que riu.
Eu estava tão assustado que não consegui nem perguntar o que queria dizer. Mas, bastaria mais alguns segundos para eu entender tudo. Na sala, estava ela, Cris. Eu sorri e senti as lágrimas vindo aos olhos. Precipitei-me em sua direção e parei antes que pudesse em um impulso abraçá-la. Fui contido por um gesto seu para que eu me contivesse. Franzi a testa. Entendi que nossa situação estava estremecida desde nosso último contato. Eu, porém, já tinha passado por cima de tudo.
_Já tomei a iniciativa de ser sua porta-voz. _ era aquela voz de profissional da primeira Cris que conheci que me deu calafrios. Será que eu havia perdido aquela que eu amava? _ Eu respondi às perguntas, também providenciei para que seus pais fossem para longe até o julgamento...
_Independente das questões de “tons”, é por causa dela que está aqui.
_E eu não sei? Tenho vontade de ir lá agora e matá-la de verdade.
_Não teria coragem.
_Ah! Ótimo! Pode convencê-los disso?
_Vou tentar. Já telefonei para todos que podem depor ao seu favor. Eles vão fazer a reconstituição e descobrir a verdade...
_Cris... _ toquei no seu braço com a mão algemada. _ Por favor, não me olhe assim com esses olhos frios, eu não quis...
_Acho que a hora da visita acabou. _ ela interrompeu-me.
_"Acho que a hora da visita acabou?" _ ri e carreguei a voz de ironia. _ Olha como estou? Sem comer direito, sem dormir, com essa mesma roupa! Sou eu, Cris, o cara com quem você passou noites rindo. Como pode me abandonar agora?
_Eu estou aqui.
_Não está! A jornalista está aqui. _ acabei gritando de nervosismo._ Eu não quero a assessora. Eu quero a minha namorada. Eu quero a mulher por quem me apaixonei.
_Eu vim aqui dar a cara à tapa para a imprensa. Isso não é muito?
_É com isso que se importa? Com a imprensa? Até parece que desde que atravessou aquela porta não me viu, não me enxergou. Há alguma nuvem branca que não te faz reconhecer o Igor?
_Você vai sair daqui.
_Eu quero, eu preciso, estar bem com você.
_...
_Não faz isso, por favor, não me devolva o silêncio.
_Desculpe. Eu estou tentando lidar com essa coisa toda...
_Eu te amo! _ falei alto. _ Eu não sinto nada por aquela louca. Tudo bem, confesso, a gente já passou dos limites uma vez, mas foi totalmente sem sentimentos, pelo menos para mim. É diferente do que aconteceu com a gente. E é só nisso que penso, em poder ter nossa vida de volta, Cris. Cris, olha para mim!
O guarda veio anunciar que a visita acabou. A sua partida foi uma parte de mim sendo decepada brutalmente. Por causa do amor de Cris eu me sentia ainda livre, forte, capaz. As grades não me oprimiam. Depois de ter a certeza de que ela estava chateada, tudo se tornou realmente opressor.
A campainha tocou e eu apertei o botão para atender ao interfone:
_Quem é?
_É o advogado de Igor. Trouxe uma coisa para a senhora.
Ouvi o barulho dos repórteres ao fundo.
_Pode subir. _ autorizei.
O homem que vi ao abrir a porta era jovem, mas careca no topo da cabeça e vestia um terno azul.
_Entre. _ indiquei com a mão.
_Pensei que não conseguiria passar pela barreira lá embaixo. _ ele riu.
_Estão ali como urubus sobre a carniça esperando eu descer.
_E o que pensa em fazer? _ perguntou.
Eu fiquei calada. Era estranho ter um homem que nunca vi sentado no meu sofá, querendo saber dos meus planos.
_Deixa eu me apresentar melhor. Meu nome é Henrique Fontes. Eu vou defender seu... Hum. O Igor.
_Vai entrar com um processo por danos morais? _ perguntei.
_Depois sim. Agora o mais importante é conseguir tirá-lo da cadeia.
_Cadeia? _ repeti a palavra como um espirro incontido.
_A senhora não sabe...?
_Do vídeo?
_Até onde sabe...?
_Do que está falando? _ perguntei.
_Igor está sendo acusado de tentativa de homicídio.
_Quê? Ele está preso?
_Está. E me mandou até aqui ver como você está...
Eu me levantei e andei de um lado para o outro da sala.
_Agora estou pior! _ respondi. _ Como isso aconteceu?
_Ele ficou tão nervoso com o que a assessora dele fez que tentou agredi-la. Só que, segundo ele, a mulher enlouqueceu e quis se matar. Quase conseguiu!
_Onde ela está?
_Internada no hospital.
_E por que Igor está sendo incriminado?
_Ele falou alto que iria matá-la e os porteiros ouviram. Mas, no fundo, não era sua intenção chegar a tal ponto. Karen começou a gritar que ele estava tentando esfaqueá-la e isso piorou a situação para o lado dele porque, ao chegar na cozinha, o segurança viu que Igor estava rolando no chão com Karen e ela ensangüentada.
_Meu Deus... _ sentei no sofá, atônita. De repente, o vídeo era um detalhe pequeno para o que conseguiu se tornar pior.
_Essa mulher é louca total.
_Ele escreveu isso para você. _ o advogado me entregou uma folha de papel escrita de caneta azul.
Caminhei até a janela e lá, atrás da cortina fechada, li:
“Eu queria estar te escrevendo palavras lindas, em algum lugar bonito para te dizer boas notícias. Agora o que tenho é uma jaula, letras tristes e péssimos presságios. Mas, o que ainda me resta é você. Vão te perseguir e tentarem vender sua tristeza como se comercializa a nova versão de um carro na TV. Nessa hora, lembre-se de nós e da vida que quis nos unir. Te peço coragem, quando me falta também. Por favor, Cris, não me abandone, nem me condene. Os meus atos inconseqüentes de antes são poeira, possível de assoprar e ser levada pelo vento. Já o que aconteceu conosco é uma verdade que quero levar para sempre. As pessoas vão se divertir com o vídeo e torná-lo motivo de piadas e conversa de bar, depois esquecem. Só que eu não quero ser esquecido por você também. Meu amor, eu vou provar que não fui culpado, que não tentei matar Karen. Depois, quero estar ao seu lado. Cris, me ajude. Lute por mim agora.”
Afastei a cortina com a ponta dos dedos e vi os repórteres lá em baixo.
_O que pretende fazer? _ perguntou ele.
_Me espere um minuto? _ pedi.
Fui até meu quarto e fechei a porta. Olhei-me no espelho oval que havia em cima da penteadeira. Acariciei minha barriga, respirei fundo.
“Lembre-se de nós e da vida que quis nos unir”.
Descemos as escadas do meu apartamento e Henrique abriu a porta de vidro para eu passar. Vários flashs começaram e serem disparados.
“Vão te perseguir e tentarem vender sua tristeza como se comercializa a nova versão de um carro na TV.”
_Na porta da delegacia está pior. _ ele falou próximo ao meu ouvido.
Virei meu rosto em sua direção e falei decidida:
_Não se preocupe, eu sou profissional.
Bastidores= Última semana do livro Fonte do Amor. Imperdível!
Olhei para o lado e vi grades de ferro. A próxima coisa que consegui enxergar foi um policial um pouco desfocado. Apertei os olhos e, ao abri-los, constatei que não era sonho. Então, deveria ser um pesadelo real. Sentei-me assustado e constatei que havia sangue na minha blusa. A última coisa que lembrava era de estar brigando com Karen pela posse da faca. Senti uma mão agarrando minhas costas e depois um soco. Quem me trouxera para ali?
Perguntei ao policial, que mandou eu ficar quieto e esperar meu advogado. Hei! Eu precisava ser defendido de quê? Senti falta do celular para poder ligar e pedir socorro para alguém. Que ironia... Karen certamente era a primeira pessoa em quem eu pensaria há um ano. Bastava discar seu número mágico e pronto, haveria alguém para resolver tudo por mim. Agora, eu estava sozinho.
A primeira visita que recebi não fora do meu pai, acompanhado por um advogado.
_Eu sei que não seria capaz. _ sua primeira frase era mais um pedido de confirmação do que certeza. Havia uma reticência duvidosa em seu olhar e voz.
_Claro que não! Eu não iria matar ninguém...
_As coisas estão complicadas para o seu lado. _ disse o advogado.
_Eu não matei!
_Na justiça não basta o sim pelo não. Temos que provar. Só que existem muitos agravantes no meio dessa grande confusão que se armou.
_Grande confusão? _ senti que eu não estava tendo real noção da dimensão das coisas.
_O segurança ouviu você falar que a mataria.
_Foi uma força de expressão! _ expliquei.
_Acompanhada, claro, de vocês dois na cozinha engalfinhados no chão e a sua assessora com uma faca cravada na barriga. _ complementou.
_O que aconteceu com Karen, eu não lembro...
_Ela tentou se matar e te incriminar. _ meu pai me respondeu. _ Está em estado gravíssimo no hospital.
_Ah! Aquela pilantra, filha da mãe... _ dei um murro na mesa. _ Eu agora sim vou lá terminar de matar ela e com vontade!
_Não seja maluco! Cala essa boca! _ meu pai me segurou pelos braços. _ A imprensa inteira está aí fora contra você. Não complique as coisas. _A Cris, meu Deus, a Cris! _ lembrei-me dela e senti vontade de protegê-la, mas não podia, estava também precisando de proteção de todas as acusações caluniosas.
_Eu não sei... Mas, depois de tudo que está passando na TV e na Internet eu até entendo que...
_Tv, Internet...?
_O vídeo...
_O vídeo? _ franzi a testa e um lampejo de lembrança me fez gelar o semblante. _ O vídeo foi divulgado?
_Já está na fase viral.
_Quem fez isso? _ perguntei. _ Karen! _ dei mais um murro na mesa. _ Agora eu vou matar aquela...
_Senta aí. _ meu pai me segurou na cadeira e me fez sentar.
***
Quando entrei em casa, senti-me fraca. Só queria meu travesseiro macio e o edredom fofo para me abrigar e chorar quieta minhas próprias dores. Não podia acreditar que Igor e Karen... Fechei os olhos com força. Afastei a lembrança das cenas da cozinha com força.
O telefone tocou. Primeiramente, pensei em não atender, mas depois conferi o número no visor.
_Oi, Rebeca.
_Não precisa dizer nada, eu te entendo...
_Ãnh?
_Eu vi. Todo mundo viu, aliás. Estou te ligando para saber...
_Do que está falando Rebeca?
_O vídeo.
_Qu... Como teve acesso?
_Está na rede.
_Rede? Quem pode...? A Karen!
_Não sei quem, mas está virando o vídeo do momento. Só se fala disso.
_Foi postado quando?
_Na madrugada de ontem. _ respondeu, depois de pedir um minuto para conferir o dado.
_Então, ela já tinha planejado? Isso quer dizer que o beijo da cozinha foi armação?
_Ãnh?
_Nada. Tanta coisa está acontecendo.
_Quer que eu vá para aí?
_Não precisa, agradeço. Quero ficar sozinha. _ respondi. Não sabia se Rebeca realmente queria falar comigo ou conseguir um grande furo de reportagem.
Eu podia me livrar gentilmente dela. Mas, o que dizer do batalhão de fotógrafos na portaria do meu prédio? O porteiro já não sabia como contê-los.
***
_Eu preciso falar com a Cris.
_Não será tão fácil trazê-la até aqui.
_Um papel e uma caneta. Anda, preciso escrever para ela. _ pedi para o advogado.
Ele me entregou o que eu queria e eu comecei a escrever freneticamente, antes que o tempo da visita acabasse. Entreguei-lhe a carta:
_Entregue em mãos para a Cris. Quero que tomem providências para tirá-la imediatamente do apartamento dela. Levem-na para um lugar reservado e longe da imprensa! Não quero ninguém vendendo jornal às custas do sofrimento dela.
_Nem parece estar preocupado em se defender. _ meu pai comentou.
_Eu posso me defender e conseguir que a justiça me perdoe. Mas, dificilmente, se apaga do coração de uma mulher a decepção que sentiu ao ver um ato de traição. Seja ele mentira ou verdade.
_A que ponto chegamos? _ meu pai estava desnorteado.
_A que ponto chegaremos? _ adiantou-se o advogado.
Entrei pela sala como um projétil que já tinha o destino certo. Eu era um rastro de fogo cortando o ar. Quis arremessar aquele computador na parede e espedaçá-lo.
_Não adianta, não está mais aí. _ Karen falou com a voz fria e os olhos cintilando.
Congelei, como a câmera que detém a cena e deixa os objetos suspensos.
_Já está na Internet.
_Você não...
_Não, eu não. _ corrigiu e deu uma risada enlouquecida. _ Alguém, um anônimo qualquer...
_Por que está fazendo isso comigo?
_Quem começou?
_Isso não é uma guerra! _ franzi a testa indignado.
_Eu vou destruir cada tijolinho do castelo que ergui para você.
_Você está louca! _ agarrei-a pela gola da blusa.
_Me solta! _ gritou e correu para a cozinha.
_Eu não vou te perdoar! _ peguei-a pelos braços e a apertei contra a pia.
_Socorro! _ Karen gritou.
_Eu posso cair, mas você vai vir junto. _ tampei sua boca com uma das mãos e seus olhos se esbugalharam.
_Hummm... _ tentou falar.
Karen puxou uma faca que estava em cima da pia com uma das mãos que soltei por alguns segundos.
_Você ousaria tirar a vida de quem ama? _ perguntei, sentindo o metal frio no pescoço abaixo da minha nuca.
Destapei a sua boca.
_Se não pode ser meu, não será de mais ninguém.
_Se me matar, não impedirá que Cris continue gostando de mim, nem que minhas fãs me idolatrem, nem que...
_E se eu me matar?
_Ãnh?
_Eu não posso fazer as pessoas te amarem. Mas, eu posso afastá-las de você.
_Você está louca!_ tentei puxar a faca de sua mão. Contorci seu pulso.
A faca caiu no chão e fez um estalido metálico. Peguei mais rápido que ela, mas tive que duelar no chão para impedir que tomasse de mim.
_Não vai me incriminar! _ puxei seu braço com força, mas ela conseguiu recuperar a faca.
_Você nunca mais será o mesmo! _ Karen sorriu, feliz por estar sob o controle. _Igor, não me mate! Igor não me mate! _ berrou e dei-me conta de que os gritos eram para chamar a atenção do segurança.
Eu atirei-me sobre ela e rolamos pelo chão, mas Karen conseguiu o que queria, cortando-se em um ato de loucura passional. Senti duas mãos puxar a minha camisa por trás e depois um punho fechado no centro do meu rosto fez tudo se apagar.
Quando acordei, senti uma forte dor de cabeça. Abri os olhos com esforço e percebi que estava deitado em um colchão duro. Assustei-me. Que lugar era aquele?
Desci para o café da manhã e encontrei Karen na minha cozinha falando no interfone.
_O que faz aqui? Permitiram sua entrada sem me falarem nada?
_Você estava dormindo.
_Nos deixe a sós. _ pediu para a minha empregada, que se retirou prontamente.
_E ainda por cima manda na minha casa? _ ri, irônico.
_Eu sempre fiz isso. Tudo pode voltar aos velhos tempos. Eu pensei bem sobre tudo que eu falei. Estava nervosa...
_Karen, só há para mim uma via: você procurar um outro trabalho na boa, sem brigas, ok?
_Eu não saberia fazer nada além de cuidar de você.
_Por favor, não torne tudo mais difícil...
_Igor, é você quem está complicando. Porque nossa dupla era perfeita até você se apaixonar por aquela jornalista.
_Reconheço que você é uma ótima profissional. O problema é que nossa interação não está boa.
_Não pensava assim até aquela mulher ter revirado sua cabeça...
_Fala como se eu me apaixonar rompesse alguma cláusula contratua. É exatamente isso que me sufoca e aprisiona. _ desabafei.
_Eu não quero ficar longe de você! Eu te amo! Eu te amo, Igor! _ Karen empurrou-me até a pia e me beijou à força.
Quando consegui afastá-la percebi que poderia existir algo pior que estar sendo beijado pela minha chantageadora: Cris em pé, na porta da cozinha. Senti um frio na barriga, que bem poderia ser uma descarga de adrenalina para me avisar que eu estava em apuros. Eu não consegui, em um primeiro momento, falar nada.
_Que bela cena! _ Cris bateu palmas e sua voz estava embargada.
_Não é isso que está pensando!_ falei.
_Eu vi, Igor. Não subestime minha inteligência!
_Espera. _ corri atrás dela, precisava lhe explicar que não a estava traindo.
Karen não se manifestou, voltou-se para seu computador e sua agenda como se tudo que acabava de acontecer não tivesse envolvido a sua pessoa.
_Igor, se tiver que me dizer alguma coisa agora, então, fale porque eu prefero ouvir da sua boca que ler nas capas das revistas.
_Cris, eu te amo e não seria capaz de te fazer sofrer...
_E por que será que eu estou chorando?
_Porque está entendendo tudo errado.
_Ah! Então, me explique! Porque quero entender o significado correto de eu chegar à sua casa e encontrar sua assessora com a língua na sua garganta.
_Eu acho que eu posso explicar. _Karen entro na sala, trazendo seu laptop.
_Não vai falar nada. Não foi chamada para essa conversa...
_Deixa ela falar! _ Cris pediu.
_Não! Ela só vai deturpar tudo... _ comecei a demonstrar desespero e isso aguçou a curiosidade dela.
_É o mínimo que posso fazer. _ Karen colocou o computador sobre a mesa. _ Depois de todos esses anos só o que sei fazer é falar pelo Igor. _ ironizou, enquanto apertava alguns botões.
_Não precisa fazer isso. _ abaixei a tela e falei baixinho para Karen. _ Por favor, não...
_Eu quero ver. _ Cris se aproximou.
Não havia mais solução, nem maneira de esconder de Cris. Ela que sempre acreditara que o mundinho das celebridades era um lugar frio e sem sentimentos, onde todos ficam com todos e não têm laços afetivos com ninguém se tornaria , depois de ver o vídeo teria certeza disso.
Karen e eu nos afastamos e sobre os ombros dela vimos quando apertou o botão do play. Eu senti-me realmente envergonhado pelo que havia feito.
A primeira cena que viu foi de Karen e eu bebendo no sofá. Ela com alguns botões da blusa aberta e minha mão sobre sua perna. Começamos a nos beijar e o que se sucedeu era difícil de relembrar. Virei de costas e coloquei as palmas das mãos na nuca. Olhei para Karen a fim de captar sua expressão diante da eminência da destruição do meu namoro.
Quando ouvimos a parte principal do vídeo não agüentei e avancei sobre o computador para pausar. Pus as mãos nos ombros de Cris.
_Eu posso explicar... Isso já fez muito tempo.
Cris virou o rosto para mim e aquele olhar de decepção era um golpe profundo.
_Eu não quero ouvir nem ver mais nada que venha de vocês dois... _ ela se afastou.
Corri atrás de Cris até o portão, mas ela pediu para deixá-la em paz e sozinha.
_Ah, Karen, eu vou matar você! _ grunhi e parti para dentro de casa.
Minha mão estava trêmula quando disquei o número de Rebeca no telefone. Ela deveria estar muito ocupada na redação, mas aquilo não poderia deixar para depois.
_Alô? Rebeca, sou eu, a Cris.
_Oi, mulher. Tô meio enrolada agora...
_Rebeca é muito sério.
_Que houve?
_Ai eu não sei como foi acontecer...
_Cris, tem que falar rápido.
_Rebeca, eu estou grávida.
_O quê? É de quem eu estou pensando?
_Lógico! Eu estou com ele, né? Que pergunta!
_Desculpe, mas isso é uma bomba!
_É uma bomba em off, não ouse publicar isso em lugar nenhum.
_Claro. Mas, ele já sabe?
_Não, né? Eu empurrei a situação, tentei me enganar, mas fiz o teste e não deu outra. Estou esperando um filho. Eu acho que vou pirar! _ falei com voz de choro, me sentando no chão da sala, com o aparelho de telefone no colo.
_Calma, nada que eu fale pelo telefone agora vai te ajudar. Escute, depois do expediente eu vou passar aí.
_Tá.
Desligamos.
Eu estava completamente desnorteada. Eu amava Igor, mas o que iriam pensar de eu ter engravidado? Não era nenhuma aproveitadora. Só que o difícil seria explicar isso. Fiquei movida pelo pavor da idéia por todo o dia e não atendi aos telefonemas dele.
_Primeiramente, um filho não é uma doença! _ foi a primeira coisa que Rebeca me disse para me animar, quando chegou aqui.
_Eu sei. Mas eu não planejei isso.
_A gente não coloca tudo na agenda, Cris!
_Não queria... _ comecei a chorar. _ Isso vai embolar tudo.
_Por quê? Ele tem dinheiro, não é nenhum morto de fome.
_Isso vai além de dinheiro. Eu não estou preocupada com isso.
_Cris, respira fundo. Acho que agora é a hora de abrir o jogo. Se deixar passar vai ser pior.
_Eu concordo. Amanhã de manhã vou até a casa de Igor para contar... Não sei nem como começar a falar...
_Não programe nada. Simplesmente diga o que seu coração sente.
Aquela noite foi de insônia total, rolei pela cama de um lado para outro e pensei nas mil possibilidades de rumos para a minha vida. Eu amava Igor e ele parecia gostar de mim. Só que eu queria uma coisa mais séria e sólida para só aí fazer os nossos sentimentos se transformarem em um ser der perninhas e braçinhos!
Rezei e pedi a Deus que ele não me condenasse ou culpasse por ter deixado isso acontecer. A responsabilidade é de ambos, mas a mulher acaba se sentindo mais culpada.
Olhei para a minha barriga e a acariciei por cima da camisola rosa. Fechei os olhos e mentalizei que nada daria errado. Eu deveria ser forte, porque agora alguém crescia dentro de mim. Um alguém com o rostinho lindo de Igor. Tá, não tinha rostinho ainda, mas na minha cabeça eu já começava a vê-lo. Quando uma criança nasce, também uma mãe nasce. Eu iria ser mãe!
Tudo bem que eu não tinha ainda uma casa, nem uma união estável com Igor. Tudo bem sua vida atribulada e tão cheia de compromissos. A gente se amava e eu queria ser feliz ao seu lado. Fiz um compromisso com meu filho (ou seria filha?) de que eu não deixaria que atrapalhassem minha felicidade com Igor.
Eu tinha esperado tanto tempo para ficar perto dele e agora estava ao seu lado. Mais: carregava um filho seu na barriga! Nada era à toa. Eu só tinha que tentar dormir e não ter um treco de tanta ansiedade.
Quando cheguei à casa de Igor eu tinha olheiras enormes e não comera nada no café da manhã. O porteiro avisou no interfone e depois falou-me que Karen, que acabara de entrar, havia autorizado minha entrada. Não sei por que ele ainda tinha aquele protocolo comigo, já que eu era a namorada de Igor. O importante é que eu precisava dividir aquela notícia.
Entrei na sala da casa de Igor já pensando que teria que esperar Karen ir embora. Mas, o que ela fazia ali? Não havia prometido a Igor que só iria vê-lo no escritório?
Ouvi a voz dos dois na cozinha. Falavam alto. Caminhei pelo corredor sem me anunciar...
Bastidores= Será que Igor espera por essa? Cris grávida! Se ela acha que tem uma notícia para dar, nem imagina a que tem para ouvir. Agora, o que Karen está fazendo ali?... Hum... O capítulo de amanhã promete. Deixem seus alôs nos comentários. Beijos!
Capítulo 50: Uma imagem vale mais que mil explicações
Luísa voltou da cozinha com um copo de água com açúcar.
_Não quero... _ recusei.
_Se você não me disser o que está acontecendo, sou eu que vou precisar tomar. _ ela sentou-se na minha frente em posição de lótus. _ Confie em mim. _ pôs sua mão sobre a minha.
_Eu gostaria, mas é uma coisa séria.
_Eu não sou mais uma garotinha.
_É tão complicado, a gente faz coisas por impulso e lá na frente caem na nossa cabeça como uma bomba.
_O que isso tem a ver com Cris? Ela está grávida?
_Nãooo. _ fiz uma careta. _ Ainda que fosse... _ ri. _ É uma coisa que vai destruir nossa relação, vai abalar nossa família, minha carreira...
_O que você fez Igor? _ ela olhou-me de lado, assustada.
_O problema não foi o que eu fiz. Mas o que vão fazer com o que eu fiz.
_Eu não sou boa em adivinhações, é melhor ser mais claro. Pelo menos sou alguém da sua família e sabe que não vou te trair. Divida comigo. No mínimo vai se sentir mais aliviado, mesmo que eu não possa te ajudar.
_A Karen está ameaçando me destruir.
_Quê?
_É...
_Mas como?
_Ela tem um vídeo na mão.
_E o que tem de tão sério neste vídeo que pode fazer mal para Cris e nossa família?
_Eu e Karen... _ não consegui nem pronunciar.
Luísa fechou os olhos e pediu para eu nem terminar.
_Não acredito que aconteceu... _ adiantei-me para justificar meu ato. _... Eu tinha bebido, ela também, era o fim de uma festa... Nós acabamos esquecendo o lado profissional.
_Você e aquela mulher?
_Você disse que não ia me condenar!
_Tudo bem, mas é que eu nunca poderia imaginar...
_É, a gente também achou loucura e fingimos que nada aconteceu!
_Como soube da existência desse vídeo?
_Quando Karen percebeu que eu realmente estava apaixonado, ela disse que iria mostrar para Cris um vídeo sobre mim. Só que estranhamente pediu para Cris ir até a cozinha e falar para a empregada fazer pipoca. Eu não entendi nada. Que maluquice era aquela? Então, enquanto só estávamos nós dois, ela apertou o botão no laptop e mostrou o vídeo que iria apresentar. Eu gelei. Mas, quando Cris voltou da cozinha, eu a dissuadi de ver o vídeo e consegui me safar da situação.
_Eu imagino o pânico que te deu. Não tem como a gente destruir esse vídeo antes que Cris acabe vendo?
_O meu temor é por algo maior...
_Nãooooo! Você não está querendo dizer que aquela vigarista teria coragem de divulgar o vídeo?
_Foi a ameaça dela...
_Por isso está pensando em terminar com a Cris?
_Será insuportável para Cris ser apontada em todos os lugares como a mulher que tem que dar explicações sobre o passado do namorado...
_Igor, posso dizer o que eu acho?
_Que eu sou um idiota por ter sido seduzido por Karen... já sei.
_Também. Mas, acho que você está errado em querer afastar Cris para resolver a situação. Por que não conta primeiro e depois dá a chance de ela mesma dizer que atitude quer tomar?
_É uma opção. Droga, eu estava tão feliz!
_Não adianta chorar pelo leite derramado, literalmente.
Rimos.
_Isso não tem graça! _ falei.
_Desculpe.
_Karen gosta de mim.
_Se gosta é um amor doente!
_Eu sei. Eu tentei mandá-la embora.
_Por isso que te ameaçou? Usou as armas mais sujas.
_Eu acho que você está certa, vou contar para Cris e prepará-la para caso esse vídeo vaze por aí. Meu pai vai querer me matar...
_Muita gente irá tirar sarro disso, te transformar em uma piada pública. Poucas estarão ao seu lado, por isso, é melhor garantir desde já o apoio dos que te amam.
_Um homem pode não ganhar nada com muitas mulheres de sua vida, mas apenas uma errada pode te fazer perder tudo.
_Só não entendo como ela não pode pensar na própria imagem.
_Lu, ela está doente. Não tem noção...
_Não quero nem pensar como será a reação de Cris, não queria estar na sua pele...
_Eu quero saber de onde vou tirar a coragem.
Bastidores= Caramba, eu sempre achei que essa Karen tinha algo a mais para exercer tanto poder sobre Igor. E como será a reação de Cris? Só amanhã para saber!